Em entrevista à Rádio 98 FM, a Vereadora, enfermeira e ex-secretária de Saúde fez um histórico da implantação do serviço na casa prisional, destacou os avanços para a saúde pública e pediu cautela para não generalizar o trabalho dos servidores.
A Vereadora de Erechim, Eclesan Palhão (enfermeira de formação e ex-Secretária Municipal de Saúde), utilizou o microfone do Estúdio 98 da Rádio 98 FM nesta quarta-feira (05) para fazer um pronunciamento contundente sobre o recente caso de uma técnica de enfermagem suspeita de tentar introduzir aparelhos celulares no Presídio Estadual de Erechim. Em sua fala, a parlamentar defendeu a continuidade do atendimento de saúde dentro da unidade prisional, classificou o episódio como “isolado” e fez um apelo para que o trabalho dos servidores não seja desqualificado por atos individuais.
A vereadora iniciou sua participação relembrando o contexto histórico da criação da Unidade Básica de Saúde (UBS) dentro do presídio, há cerca de 15 anos, quando o Dr. Plínio Costa Junior era secretário de Saúde e ela ocupava o cargo de diretora das Unidades Básicas. Na época, a falta de estrutura fazia com que detentos fossem atendidos nas mesmas filas de UBSs e pronto-socorros da cidade, gerando constrangimento e risco para a população.
“Naquela época, tínhamos mães com bebês de 3 dias esperando vacina, idosos com pneumonia e gestantes no pré-natal, e os agentes penitenciários chegavam com os apenados e passavam na frente de todos. Nós tivemos um paciente baleado na frente do Pronto Socorro e até um óbito dentro da UBS do Progresso. O risco era constante”, relatou a vereadora.
Segundo Eclesan, a solução encontrada à época foi abrir um contrato temporário específico para lotar profissionais na unidade prisional, já que muitos servidores se recusavam a trabalhar no local devido ao ambiente hostil e claustrofóbico. Com o tempo, o serviço foi desmistificado e, atualmente, a UBS atende quase 600 apenados, evitando que eles sobrecarreguem as unidades de saúde da cidade e o Hospital Santa Terezinha.
Defesa dos servidores e crítica à generalização
Apesar de concordar que a gestão da saúde no presídio é uma conta que o município paga e que, tecnicamente, seria uma responsabilidade do Estado, a vereadora fez questão de ressaltar o impacto positivo para a comunidade externa. “Se acabar com a UBS, volta a ser como antes: mais de 600 presos entupindo as filas do posto e do hospital. Isso é um problema de saúde pública que atinge as famílias de Erechim”, explicou.
Sobre o fato isolado da técnica de enfermagem flagrada com celulares, Eclesan foi enfática: “Não posso dizer que todo mundo não presta por causa de um fato isolado. Os funcionários bons que trabalham lá estão em sofrimento, porque parece que todos estão envolvidos. Isso não é ético. Se tem uma investigação, que se apure, que se pegue acessos a computadores e telefones, mas sem jogar poeira ao vento.”
A vereadora também destacou seu código de ética profissional. “Eu escolhi cuidar de vidas. Não pergunto para o paciente o que ele fez na noite anterior. Tenho 25 anos de carreira, sou concursada, pago meus impostos e nunca fiz mal a ninguém. Tem mães que criaram bem seus filhos e os perderam para o tráfico. Não posso colocar todo mundo no mesmo saco”, declarou.
Estrutura atual do atendimento no Presídio
A parlamentar detalhou a equipe que atua atualmente na casa prisional, composta por duas assistentes sociais, duas psicólogas, uma enfermeira, uma técnica de enfermagem, uma atendente de saúde bucal, um odontólogo, uma nutricionista (em escalas) e um médico para matriciamento em saúde mental. Ela reforçou que o trabalho é complexo e envolve o tratamento de doenças como tuberculose e hanseníase, além de demandas de saúde mental.
Ao final, Eclesan rebateu críticas pessoais e afirmou ter serenidade para falar sobre o assunto. “Eu me deito tranquila e serena me levanto. Não tenho telhado de vidro. Se as pessoas não gostam de mim porque fui transferi-las ou porque as tirei de funções de confiança, isso faz parte. Meu compromisso sempre foi com a maioria e com a solução dos problemas da cidade.”
O pronunciamento da vereadora gerou repercussão imediata nos estúdios da 98 FM e entre os ouvintes, reacendendo o debate sobre os limites entre a segurança pública e a assistência à saúde dentro dos presídios, bem como sobre a responsabilidade dos entes federativos.
Por: Edson Machado – Jornalismo 98 FM
