Túlio Lichtenstein, alerta: “Desenrola 2.0 pode virar armadilha para endividados reincidentes

Mercado financeiro sente pressão política e o comentarista de economia da 98 FM alerta para ‘falsa ilusão’ do Desenrola 2.0
Em meio a um cenário de inflação resiliente, juros estagnados e aproximação do período eleitoral, o comentarista de economia da 98 FM, Túlio Lichtenstein, fez duras críticas à conjuntura atual e chamou a atenção para os riscos do recém-lançado programa Desenrola 2.0.

Em seu programa semanal TL NEWS, transmitido pela Rádio 98 FM de Erechim, Lichtenstein avaliou que as recentes medidas do governo, embora benéficas para alguns, carregam um forte viés político. “Tudo o que está acontecendo no mercado já era esperado. A pergunta que fica é: por que agora e não antes? Precisamos tomar cuidado para não cair na falsa ilusão de que isso é para o bem. A situação geral, independente de lado político, não está satisfatória”, afirmou.

O comentarista destacou a volta da pressão inflacionária e a frustração com a política de juros. “Estamos vendo a inflação acumular e subir novamente. A prometida queda dos juros não aconteceu e, pelo visto, não vai mais acontecer”, alertou.

Desenrola 2.0: oportunidade real, mas com armadilha

Sobre o programa Desenrola 2.0, Túlio reconheceu a utilidade da medida, especialmente para quem está endividado há mais de 90 dias. “Quem tem dívidas contraídas até 31 de janeiro de 2026 pode parcelar com taxas de 1,99% ao mês. Para quem paga 12%, 15% ao mês no cheque especial ou 400% ao ano no rotativo do cartão, isso é excelente”, explicou.

No entanto, o economista fez um alerta contundente: “O perigo mora na reincidência. Muita gente renegocia, parcela em 24, 36, 48 meses, e dois ou três meses depois já está devendo o cartão e o cheque especial de novo.”

Segundo ele, o correto seria que, ao aderir ao programa, os limites de crédito do consumidor fossem temporariamente suspensos. “O trabalhador precisa de um tempo para se reorganizar. Mas as instituições financeiras mantêm os limites porque o crédito é a maior fonte de receita delas”, criticou.

Educação financeira como saída, mas responsabilidade compartilhada

Túlio lembrou que a Express SA tem feito sua parte ao oferecer turmas de educação financeira para clientes e interessados. Mas ressaltou que as próprias instituições financeiras também precisam assumir responsabilidade. “É dever do gerente orientar e instruir o trabalhador. Do contrário, estão pensando apenas no lado deles, não na saúde financeira do cliente.”

Ele concluiu com um dado alarmante: mais de 80% da população pessoa física no Brasil está endividada. “Os índices de inadimplência continuam altíssimos, os juros nas alturas e a inflação subindo. Sem educação financeira real e sem responsabilidade dos bancos, vamos continuar nesse ciclo”, finalizou.

Por: Edson Machado – Jornalismo 98