Em análise no TL News, Túlio Lichtenstein afirmou que mercado já precifica corte de 0,25%, mas futuro da Selic em junho é incerto
Na manhã desta quarta-feira (29), o comentarista de Economia da 98 FM, Túlio Lichtenstein, destacou durante o “TL NEWS”, que o Brasil vive a chamada “Super Quarta”, com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que definirá os rumos da taxa básica de juros. A reunião teve início na terça-feira (28) e é a terceira do ano.
Segundo Lichtenstein, havia expectativa de forte pressão do governo atual sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que foi indicado ao cargo pelo próprio governo. No entanto, conforme o comentarista, essa pressão não se concretizou até o momento.
“Tivemos apenas um corte de 0,25% sobre a taxa de juros, mas Galípolo já deixou bem claro que não vai ceder a pressões na reunião do Copom nesta quarta-feira”, afirmou. Para Lichtenstein, a postura cautelosa de Galípolo se justifica: “Logo encerra-se o mandato dele e existe vida após presidir o Banco Central. Ele tem que se preservar como membro do mercado financeiro, não como membro político.”
O comentarista avaliou que, se houver corte hoje, será de 0,25%, patamar já precificado pelo mercado. “Tem muita especulação, muito palpite, mas sempre fora da realidade atual”, ponderou.
Dólar controlado, mas volatilidade preocupa empresas
Lichtenstein destacou que o Banco Central tem conseguido manter o dólar abaixo de 5 Reais, está conseguindo trabalhar na casa dos R$ 4,97, R$ 4,98, ontem iniciou o dia em R$ 4,99. “Um centavo de diferença é praticamente a mesma coisa para quem vai fazer uma viagem ou comprar um produto importado. Mas para empresas que importam e exportam, que fazem contratos futuros para travar o câmbio, a volatilidade é muito grande”, explicou.
Por outro lado, o índice Bovespa recuou, chegando aos 199 mil pontos e fechando em 198 mil pontos. Segundo Lichtenstein, até a divulgação da ata do Copom, o período será de forte especulação.
Entrada de recursos externos e a questão da inflação
O comentarista projetou que, a partir desta quinta-feira (30), haverá maior movimentação de recurso externo entrando no Brasil, o que pode abrir espaço para queda do dólar ainda nesta semana. “Quem entrega uma taxa de juros como a nossa? Estamos apenas atrás da Turquia com a maior taxa real do mundo. O investidor estrangeiro vai continuar mandando recursos para cá”, justificou.
A chave principal, segundo ele, continua sendo a inflação. Embora o dado de abril tenha vindo abaixo do esperado — 0,89% ante projeção de 0,98% — o acumulado em 12 meses atingiu 4,37%, puxado pelos alimentos. A meta central é de 3%, mas existe ali um viés de escape que ela pode ir para cima ou para baixo 1,5 . “Ela está lá quase explodindo”, alertou Lichtenstein, citando ainda a alta do petróleo, que chegou a US$ 107 pela manhã, pressionando combustíveis e transporte.
Corte hoje, mas próximas reuniões são incertas
Para Lichtenstein, o corte de 0,25% hoje deve ocorrer para que a economia “dê uma respirada e volte a aquecer”. No entanto, ele se mostrou cético em relação à reunião de junho: “Se continuar esse cenário de hoje, com conflito no Oriente Médio e dados econômicos do Brasil, na próxima reunião do Copom não veremos corte de juros.”
A ata do Copom, a ser divulgada nos próximos dias, deverá trazer mais clareza sobre os próximos passos da política monetária brasileira.
Por: Edson Machado – Jornalismo 98 FM
