Secretário Vianei Mueller e enfermeira Catia Banaszeski alertam: vacinação contra gripe em Erechim está em apenas 48% e hospital já tem 100% de ocupação

Cobertura vacinal contra gripe no município está em apenas 48%, bem abaixo dos 90% recomendados pelo Ministério da Saúde. Internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave crescem e hospital já opera com 100% dos leitos ocupados

Em entrevista ao Estúdio 98 da Rádio 98 FM na manhã desta quinta-feira (25), o Secretário Municipal de Saúde de Erechim, Vianei Mueller, e a enfermeira Catia Banaszeski fizeram um alerta preocupante sobre o cenário das doenças respiratórias no município. Com a chegada do inverno, os índices de vacinação contra a influenza estão muito aquém do esperado, e o sistema hospitalar já dá sinais de sobrecarga.

De acordo com os dados apresentados pela secretaria, desde o início da campanha, em 28 de março, apenas 48% dos grupos prioritários foram imunizados contra a gripe. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é de 90% de cobertura. Entre os grupos mais vulneráveis, os números são ainda mais críticos: 55% das gestantes, 51% dos idosos e apenas 38% das crianças de 6 meses a 6 anos receberam a vacina.

“Entendemos que estamos num movimento de reeducar a população para que possamos voltar aos índices dos anos 90 e início dos anos 2000, quando chegávamos realmente aos 90% de cobertura. Hoje, percebemos que os pais mais novos não viram o papel que a vacina teve na erradicação de doenças e talvez não levem tão a sério essa situação. E as crianças não podem escolher ir ao posto vacinar; elas dependem dos pais”, destacou Vianei Mueller.

A enfermeira Catia Banaszeski reforçou que a desinformação é um dos principais fatores para a hesitação vacinal. “As pessoas desacreditam que as vacinas tenham efeito preventivo. Mas é importante salientar que elas são estudadas por até 15 ou 20 anos antes de serem administradas. Temos o temor de que doenças já erradicadas, como o sarampo e a poliomielite, possam voltar. Este ano, por exemplo, tivemos um surto de varicela em Erechim, que é uma doença prevenível por vacina e que pode ser grave em gestantes e imunodeprimidos”, alertou.

Hospital com 100% de ocupação e casos graves

O cenário de baixa adesão à vacina já se reflete nas unidades de saúde. Dados divulgados até o dia 24 de junho de 2026 apontam 27 internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no município. Desses, 16 casos são especificamente por influenza. A enfermeira informou que há pacientes em situação grave internados no Hospital Santa Terezinha, incluindo uma criança que precisou ser transferida para um centro com maior complexidade.

O Secretário Vianei confirmou que manteve contato com o diretor executivo do hospital, Rafael Ayub, e recebeu a informação de que os leitos da unidade estão com 100% de ocupação. “Não é um caso específico de Erechim. Vemos isso em outras regiões, inclusive na região metropolitana de Porto Alegre. Em maio, o estado declarou emergência na saúde por conta das síndromes respiratórias. Embora nossa situação seja melhor que a de outras regiões, estamos longe do ideal”, afirmou.

Frio intenso e risco de agravamento

A preocupação das autoridades é com os próximos dias, diante da previsão de temperaturas baixas e do aumento natural da circulação de vírus respiratórios. O Secretário fez um apelo emocionado à população: “Até a entrada do hospital, você pode escolher se quer ou não vacinar seu filho. A partir dali, você não pode mais escolher. Você deixa a criança na mão do médico e começa a fazer a sua oração. A vacina é o melhor remédio.”

A Secretaria Municipal de Saúde informa que continua com ações intensificadas de vacinação, atuando em mais de 70 escolas, grupos de idosos, supermercados, no Mercado Público e na Esquina Democrática, inclusive aos domingos. A campanha segue aberta e a orientação é que todos os pertencentes aos grupos prioritários procurem as salas de vacina o mais rapidamente possível.

Próximas ações e alerta sobre o sarampo

A enfermeira Catia também fez um alerta para o risco de reintrodução do sarampo no Brasil, especialmente com a proximidade de eventos internacionais, como a Copa do Mundo. “Pessoas que viajam para países onde a doença circula podem retornar com o vírus e colocar em risco quem não está vacinado. Isso é um perigo real”, concluiu.

Por: Edson Machado – Jornalismo 98