O Prefeito Paulo Polis usou o programa Café com o Prefeito para fazer um alerta sobre os riscos do endividamento municipal, citando algumas cidades como exemplo
Em entrevista na manhã desta sexta-feira (17), durante o tradicional Café com o Prefeito, na Rádio 98 FM, o prefeito, Paulo Polis, foi enfático ao afirmar que não irá comprometer a saúde financeira do município com empréstimos de altos juros, mesmo diante de demandas por novas obras. A declaração veio acompanhada de exemplos de cidades de grande porte que, segundo ele, enfrentam agora dificuldades orçamentárias por terem buscado recursos a custos elevados.
Polis iniciou sua fala destacando que Erechim segue realizando investimentos, mas que isso exige responsabilidade. “Para tanto são necessários recursos, mas eu não vou fazer aventura com a solidez financeira do município. É justamente essa segurança que nos permite investir”, afirmou.
O prefeito citou diretamente as cidades de Caxias do Sul e Chapecó como casos de alerta. De acordo com ele, leu na imprensa de Caxias do Sul nesta semana que a prefeitura local estuda a possibilidade de parcelar os salários dos servidores. Já Chapecó, segundo Polis, contraiu recursos significativos para obras de asfalto e outros projetos, somando mais de R$ 1 bilhão. “O que essas prefeituras estão pagando hoje? Mais de 1% de juro ao mês, cerca de 1,12%, o que dá 15% ao ano – próximo da Selic. Mas os empréstimos geralmente são Selic mais algo, então com a Selic a 14%, mais 3 ou 4%, chega a 18% ao ano, ou 1,5% ao mês. Com isso, elas perderam a capacidade de investir em mais nada”, explicou.
Polis ressaltou que Erechim já recebeu diversas ofertas de financiamento, mas sempre com taxas atreladas à Selic. A novidade, segundo ele, surge agora com uma linha da Caixa Econômica Federal, que utiliza recursos do FGTS com juros fixos de 5% ao ano mais 3,5%, totalizando entre 8% e 9% ao ano. “Isso muda o cenário, mas não a postura. Não vou fazer aventura”, repetiu.
O Prefeito citou um projeto estratégico que poderia ser estudado caso as condições sejam favoráveis: o anel viário que ligaria a ERS 480 (no trecho das vinícolas) até as proximidades da Frinape, desviando o tráfego pesado dos bairros Jaboticabal e Três Vendas. “Existe a possibilidade de estudarmos isso. Citei apenas um caso. Outra ideia, após finalizarmos o Distrito para Micro Empresas, é construir pavilhões para incubadoras de negócios com um ou dois funcionários. Se houver juro bom, compatível com o que podemos pagar, vamos estudar. Mas sem loucuras”, ponderou.
Polis destacou que a segurança financeira de Erechim é um patrimônio intocável. Ele lembrou que o município mantém conceito triplo “A” nos pagamentos, garantindo que fornecedores e funcionários recebam em dia, graças a uma reserva técnica. “Já pensou se não tivéssemos essa reserva em novembro de 2025, com a queda de granizo? O recurso estadual e federal chegou um mês e meio depois. Mas no dia seguinte já estávamos comprando telhas e madeira. Isso só foi possível porque tínhamos caixa. E temos até hoje”, afirmou.
Segundo Polis, Erechim é uma raridade no Brasil. “Não sei se das 5.577 cidades, 100 têm essa qualidade de segurança no caixa. E não vou brincar com isso”, disparou.
Em tom de alerta, o prefeito, afirmou que não irá comprometer a solidez financeira do município com empréstimos de juros elevados, e pediu que a população não se deixe levar por comparações com outras cidades.
“Enquanto eu for prefeito, quero deixar claro: as pessoas ficam comparando o que está sendo construído em outros municípios, mas se informem lá quanto foi o financiamento e quanto estão pagando de juros altos nas parcelas mensais. Isso está colocando em risco até mesmo os salários dos servidores, e algumas prefeituras já estudam parcelar remunerações para poder pagar os financiamentos”, declarou
Ele fez questão de detalhar o impacto de um endividamento mal planejado: “Meio bilhão é 500 milhões de Reais. Vamos pegar 1% ao mês, isso vai dar 5 milhões por mês só para pagar o serviço da dívida, nem falo da prestação. As prefeituras dessas cidades dizem que dá para pagar, mas com isso você mata o investimento. Não consegue construir escola, não dá recurso ao hospital, não dá contrapartida. Isso não vai acontecer enquanto eu for prefeito”, garantiu.
Por fim, o prefeito afirmou que o secretário de Planejamento, Jackson Arpini, já está analisando as novas linhas de crédito, mas qualquer decisão passará pelo diálogo com os vereadores e, se necessário, por audiência pública. “Se tiver juro compatível, vamos pensar e conversar. Mas não vai ter canetaço. Não vou fazer aventura financeira”, concluiu.
Por: Edson Machado – Jornalismo 98
