Paloma Carvalho de Lima é coroada Rainha da Frinape 2026 e emociona em entrevista na 98 FM

Paloma Carvalho de Lima, primeira mulher negra a ostentar a coroa máxima da festa, concedeu entrevista emocionante ao Estúdio 98 nesta segunda-feira

A manhã desta segunda-feira (29) foi marcada por emoção e relatos inspiradores no programa Estúdio 98, da Rádio 98 FM Erechim. A recém-coroada Rainha da Frinape 2026, Paloma Carvalho de Lima, de 26 anos, concedeu sua primeira entrevista oficial após o concurso e já projetou o que promete ser um reinado de quebra de paradigmas e representatividade para a cidade.
Com a voz embargada e um sorriso que transparecia a alegria do momento, Paloma descreveu a experiência como “sensacional” e “uma emoção sem palavras”. “Na verdade, nem consegui dormir direito. Quando paro para pensar no peso do que estou carregando, é uma emoção tão grande que não se tem palavras para explicar como está sendo gostoso viver esse momento”, confessou a comunicadora, que também atua na Rádio Virtual FM de Erechim.
Uma trajetória de acolhimento e oportunidades
Natural do Tocantis, Paloma chegou a Erechim em 2016, aos 16 anos, após um convite de familiares que já residiam no município. O que seria uma “passadinha rápida” se transformou em uma década de amor pela cidade. “Quem mora aqui talvez não consiga enxergar a dimensão de como essa cidade tem muitas oportunidades de trabalho. O estudo aqui é incrível. Minha tia me convidou: ‘vem passar um tempinho, se gostar fica, se não gostar volta’. E o resultado é esse: estou há 10 anos”, contou.
Ela relembrou os primeiros passos na Escola Érico Veríssimo, onde estudou em escola pública com professores de qualidade, e destacou como a cidade a acolheu no mercado de trabalho. Do primeiro trabalho no Caitá e depois na Rádio Virtual que Paloma encontrou não apenas um emprego, mas uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e profissional. “O rádio me auxiliou na comunicação, em conhecer pessoas, em estar em vários lugares. O tempo foi passando e as oportunidades nunca faltaram”, afirmou.
O “sim” que mudou a história
A relação de Paloma com o concurso da Frinape começou de forma inusitada, no Salão Le Sorelle, especializado em cabelos cacheados e crespos, um nicho ainda raro na região. Frequentadora do espaço há mais de um ano, foi durante uma conversa descontraída sobre mudar a cor do cabelo que veio o convite decisivo da profissional Indi.
“Eu fiquei pensativa. Em 2022 e em 2024 já tinham me falado a mesma coisa, mas eu não me sentia pronta. Até brinquei com uma amiga: ‘se aumentarem a idade limite (que era 25 anos), esse ano vou tentar’. E não é que surgiu a oportunidade? Falei: meninas, vamos, vou pegar na mão de vocês e vamos juntas levar o nome do salão e representar essa cidade”, relembrou.
A candidatura, no entanto, foi além do apoio do salão. Paloma contou que reuniu mais de sete apoiadores de diferentes nichos, que a ajudaram em cada etapa. “É uma construção, ninguém faz nada sozinho. Passei pelo concurso porque estava muito bem acompanhada”, ressaltou.
Um marco na história de Erechim
A vitória de Paloma não é apenas pessoal; ela entra para a história da Frinape e do município. Ela é a primeira mulher negra a conquistar o título máximo da corte da festa, rompendo com décadas de um padrão estético predominantemente branco, de olhos claros e cabelos lisos.
Em uma cidade com forte influência da colonização alemã, italiana e polonesa, a ascensão de uma rainha negra carrega um peso simbólico imenso. “Desde que me candidatei, senti o peso. No dia da apresentação, olhei e pensei: ‘eu sou a única negra aqui’. Erechim foi colonizada por imigrantes, mas o negro também teve importância gigantesca na construção do município, mesmo que as pessoas façam questão de esquecer”, desabafou.
Paloma revelou que, mesmo após a coroação, a ficha ainda não caiu completamente. O que a fez compreender a dimensão do feito foram as mensagens recebidas, especialmente de mães e pais de crianças negras. “Uma mãe comentou que vai ser incrível, em novembro, levar sua filha na casa da corte e ela pensar: ‘meu Deus, uma rainha negra com o cabelo igual ao meu’. Nós não sabemos a dimensão que isso tem na vida de uma criança que só via uma rainha branca. Isso é um padrão quebrado, porque as pessoas não se sentiam pertencentes desse lugar”, emocionou-se.
A nova rainha frisou que sua cor não foi um empecilho, mas sim a dedicação e o estudo para estar à altura do que o concurso exige. “Eu vim para mostrar para todas as mulheres assim como eu que nós podemos e devemos ocupar todos os lugares. Não tem uma cor, você tem que se dedicar para alcançar este lugar”, declarou.
Um reinado que promete revolução
Ao encerrar a participação, Paloma projetou a Frinape 2026 como inesquecível e um marco para a cidade. “Ainda não consigo imaginar o peso total dessa coroa, é tudo muito novo. Mas dentro de tantas coisas boas que recebi, isso aqui revolucionou muitas coisas. É uma honra imensa ser a primeira Rainha Negra da Frinape. Essa Frinape será inesquecível”, concluiu.
A nova corte já começa a se preparar para os eventos oficiais que antecedem a grande festa de novembro, agora carregada de um simbolismo que transcende a celebração e toca a alma da comunidade erechinense.

Por: Edson Machado da Silva – Jornalismo 98 FM