Mulheres avançam no mercado de trabalho gaúcho, mas desigualdade salarial persiste

A participação feminina no mercado de trabalho do Rio Grande do Sul atingiu 58,5% em 2024, com a taxa de desocupação recuando para 6,2% — o menor nível da série histórica estadual e abaixo da média nacional de 8,1%. Os dados integram a Síntese ODS 5 – Igualdade de Gênero, publicada pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).

No entanto, a desigualdade salarial permanece como desafio: o salário médio feminino corresponde a 76% do masculino. A qualificação, por outro lado, mostra avanço — 34,2% das trabalhadoras possuem ensino superior completo, ante 19,1% entre os homens.

A secretária de Planejamento, Danielle Calazans, destacou que o monitoramento transforma estatísticas em inteligência para a gestão pública, permitindo identificar avanços e lacunas. “Direcionar recursos com base em evidências aumenta a eficácia das políticas”, afirmou.

Liderança institucional — As mulheres representam 61,4% do total de servidores do Executivo estadual e ocupam 54,3% dos cargos de chefia, nove pontos percentuais acima de 2024. Nas Secretarias Estaduais, elas estão à frente de 35,5% das pastas.

Saúde — A cobertura vacinal contra HPV entre meninas de 9 a 14 anos chegou a 90,5%, atingindo a meta da OMS. O pré-natal também avançou: 83,2% das gestantes realizaram sete ou mais consultas em 2024. A taxa de detecção de HIV em mulheres recuou de 28,8 para 17,1 por 100 mil habitantes entre 2015 e 2024.

Violência — Os dados revelam quadro preocupante. Em 2025, foram registradas 1.433 vítimas de estupro do sexo feminino com até 14 anos — redução de 10% em relação a 2024, mas ainda alarmante. Meninas e adolescentes de 0 a 19 anos concentraram 75,3% das vítimas de estupro, embora representem apenas 22,3% da população feminina. A taxa de feminicídio consumado foi de 1,38 por 100 mil mulheres, interrompendo a trajetória de queda dos dois anos anteriores.

A secretária adjunta da Secretaria da Mulher, Viviane Viegas, afirmou que a desigualdade de gênero permanece como desafio estrutural. “Nosso compromisso é seguir fortalecendo ações baseadas em evidências, ampliando a transversalidade das políticas de gênero”, completou.