Março Lilás reforça importância da prevenção e da vacinação contra o HPV

O mês de Março Lilás, dedicado à conscientização e ao combate ao câncer de colo do útero, volta a destacar dois pontos decisivos para salvar vidas: prevenção com a vacina contra o HPV e diagnóstico precoce. A doença é uma das que mais atingem mulheres no Brasil e tem, como principal causa, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), transmitido principalmente por contato sexual.

No Rio Grande do Sul, o cenário exige atenção. Em 2024, ano mais recente com dados consolidados, o Estado registrou o 4º maior número de novos casos de câncer de colo do útero no país, conforme o Painel Oncologia do Ministério da Saúde. O câncer se desenvolve no colo do útero, região inferior do órgão, e pode evoluir silenciosamente por anos até se manifestar.

Vacina contra HPV: proteção segura e gratuita

A vacina contra o HPV é considerada a principal estratégia para evitar o câncer de colo do útero e também outros tumores associados ao vírus, como os que podem atingir ânus, pênis, boca e orofaringe. No calendário nacional de vacinação do SUS, o imunizante quadrivalente, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18, é aplicado gratuitamente em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos.

De forma excepcional, até junho deste ano, a vacinação foi ampliada para adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam a dose na faixa etária recomendada. Para se vacinar, basta procurar uma Unidade Básica de Saúde, com documento de identificação.

A vacina também é indicada para pessoas de 9 a 45 anos em condições especiais, como indivíduos vivendo com HIV, transplantados, pacientes oncológicos, vítimas de violência sexual, usuários de PrEP e pessoas com papilomatose respiratória recorrente.

Cobertura vacinal cresce, mas meta ainda não é alcançada entre meninos

Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul registrou aumento na procura pela vacina, impulsionado por ações da Secretaria Estadual da Saúde (SES), como o selo Município Amigo da Vacina, criado em parceria com o Ministério Público do RS, e pelo programa Imuniza Escola RS, lançado em 2024 para recuperar coberturas vacinais com mobilização de escolas e equipes de saúde.

A meta para o público de 9 a 14 anos é atingir 90% de cobertura. Em 2025, o RS alcançou esse patamar entre as meninas, mas segue abaixo entre os meninos:

  • 2025: feminino 90,60% | masculino 79,02%
  • 2024: feminino 87,09% | masculino 71,02%
  • 2023: feminino 83,63% | masculino 63,88%
  • 2022: feminino 79,24% | masculino 51,44%
  • 2021: feminino 75,18% | masculino 40,23%

Casos e óbitos no Estado

Os dados também mostram que o câncer de colo do útero segue impactando a saúde pública no RS:

  • 2022: 1.674 casos e 448 óbitos
  • 2023: 1.832 casos e 429 óbitos
  • 2024: 1.426 casos e 449 óbitos

Em 2024, as faixas etárias com maior número de diagnósticos foram:

  • 30 a 39 anos: 325 casos
  • 40 a 49 anos: 423 casos

No total, a doença aparece como o 8º tipo de câncer mais frequente entre mulheres gaúchas, com 1.426 registros em 2024, dentro de um universo de 36.317 casos de câncer em mulheres no Estado.

HPV: sintomas podem aparecer tarde; prevenção tem três pilares

O HPV pode infectar pele e mucosas, causar verrugas e, em alguns casos, evoluir para lesões precursoras e câncer. Muitas vezes, a infecção não apresenta sintomas, mas ainda assim é transmissível.

Em fases mais avançadas, sinais de alerta podem incluir sangramento vaginal anormal, corrimento (às vezes com odor forte), dor pélvica e perda de peso.

A prevenção é baseada em três pilares:

  • vacinação (SUS);
  • exame preventivo para detectar lesões antes que virem câncer;
  • preservativo, que reduz o risco, embora não elimine totalmente a transmissão.

Novo teste no SUS deve mudar o rastreamento

O texto ainda aponta que, em 2026, deve ser incorporado pelo SUS um novo teste molecular para identificar HPV oncogênico. Mais sensível, o DNA-HPV deve permitir ampliar o intervalo do rastreamento para até cinco anos, aumentando a efetividade da prevenção e reduzindo custos. O exame foi desenvolvido pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná, vinculado à Fiocruz, e deve substituir o papanicolau como triagem inicial — que seguirá indicado para confirmar casos com resultado positivo no teste molecular.