Em entrevista ao Estúdio 98, da Rádio 98 FM, o empresário da Ervateira Rei Verde falou sobre os desafios da superoferta, a qualidade regional da erva e as estratégias de expansão da empresa.
Nesta segunda-feira (17), o Estúdio 98 da Rádio 98 FM recebeu o empresário Alfeu Strapasson, da Ervateira Rei Verde, de Erechim, para uma conversa aprofundada sobre o momento da erva-mate no Brasil e no mundo. Durante a entrevista, Strapasson traçou um panorama realista do setor, destacou as diferenças regionais do produto e revelou os movimentos que têm garantido o crescimento da empresa mesmo diante de um cenário desafiador.
Super oferta e queda de preços: um ciclo que se repete
Segundo Alfeu, a Argentina lidera a produção mundial de erva-mate, seguida pelo Brasil e pelo Paraguai. Ele alertou que o setor atravessa mais um ciclo de grande oferta, o que impacta diretamente os preços pagos ao produtor. “Quando se tem muita oferta de matéria-prima, a consequência é a redução de preço. Estou na erva-mate há mais de 20 anos e já passei por três ciclos assim. Não tenho dúvida de que este também chegará ao fim”, afirmou.
O empresário rebateu a busca por culpados – sejam indústrias, produtores ou o consumo – e defendeu a união do setor. “Estamos todos no mesmo barco, remando contra a correnteza. Juntos, acreditamos que o setor vai continuar crescendo. Procuro, mesmo nas dificuldades, encontrar oportunidades.”
Qualidade regional: não há melhor ou pior, há finalidades diferentes
Questionado sobre a qualidade da erva-mate produzida em diferentes estados, Strapasson foi categórico: “Depende da finalidade.” Ele explicou que o Paraná, hoje o maior produtor nacional, sozinho poderia suprir toda a demanda do Brasil. A erva paranaense, originária de áreas de floresta nativa, é a preferida para o chimarrão tradicional – mais suave e verde, exigido pelo mercado consumidor do Rio Grande do Sul.
Já para exportação, produtos estacionados e orgânicos, as ervas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina também têm grande valor. “Não tem erva-mate melhor ou pior, depende do que você vai fazer com ela”, resumiu.
Expansão de marcas e mercado internacional
A Rei Verde tem investido em aquisições e na diversificação de portfólio. Recentemente, a empresa efetivou a compra definitiva da marca Vier (com mais de 80 anos de história) e já trabalha com outras marcas tradicionais, como Flor Verde, para atender nichos específicos, como o mercado de fronteira.
No exterior, a empresa se destaca no Uruguai, onde representa cerca de 12% do mercado. “Lá, 95% do orgânico que vendemos é produzido por nós, seja com marca própria do importador para grandes redes de supermercados”, revelou.
Já na Argentina, maior produtor mundial, o crescimento das vendas da marca Rei Verde surpreende. “E isso que é o país que mais produz erva-mate no mundo”, comentou.
O empresário também mencionou parcerias locais, como a produção das marcas Chiquito e Bordoneio e Os Monarcas – estas ligadas a grupos musicais de Erechim –, todas com excelente aceitação no mercado.
Unidade industrial no Paraná e visão de futuro
Para atender à demanda por produtos orgânicos, especialmente do Uruguai, a Rei Verde estruturou uma unidade industrial em Guarapuava (PR), região onde há maior oferta de erva-mate orgânica, fomentada há anos por uma empresa local. Strapasson destacou que, embora o consumidor brasileiro ainda não valorize tanto o produto orgânico na cuia, o mercado uruguaio é expressivo.
“A gente enxergava isso em outros segmentos, como o de bebidas, mas na erva-mate não era comum. Com as dificuldades, passamos a ver oportunidades”, afirmou.
A entrevista de Alfeu Strapasson trouxe uma visão lúcida e estratégica sobre os desafios da erva-mate, ressaltando a importância da adaptação, da valorização das diferentes origens e da busca por novos mercados. Para a Rei Verde, o momento é de crescimento e inovação, mesmo em meio à turbulência. “Com calma, as coisas vão mudar”, concluiu o empresário.
Por: Edson Machado – Jornalismo 98
