Da infraestrutura viária à saúde: Presidente da AMAU Prefeito Neninho traça plano ousado de hospital regional e critica “peregrinação” por emendas

Proposta de Hospital Regional Mobiliza Lideranças do Alto Uruguai
Em entrevista, prefeito Genoir Florek defende construção de nova unidade hospitalar e revisão da tabela SUS para fortalecer a saúde na região
O presidente da Associação dos Municípios do Alto Uruguai (AMAU) e prefeito de Centenário, Genoir Florek (PL), conhecido como Neninho, defendeu nesta segunda-feira (20) a construção de um hospital regional de grande porte em entrevista ao Estúdio 98 da rádio 98 FM de Erechim. A proposta, que ainda está em fase inicial de articulação, prevê uma nova infraestrutura para a saúde na região, com foco na ampliação da capacidade de atendimento e na redução das dificuldades enfrentadas pelo sistema público.

Durante a conversa, Neninho fez um paralelo com os avanços recentes em infraestrutura viária para justificar a necessidade de um movimento semelhante na área da saúde. Citou como exemplo os recursos obtidos para pavimentação em centenário e Carlos Gomes que conseguiram 41 milhões do governo do estado para fazer a execução da ERS 477, o prefeito de Marcelino Ramos conseguiu aproximadamente 27 milhões para a pavimentação da ERS 126, “Essa pauta dos acessos asfálticos está andando.
O presidente da AMAU foi enfático ao dizer que sua fala não se trata de uma crítica à gestão atual, mas de uma proposta de evolução. Ele reconheceu o esforço da direção do Hospital Santa Terezinha, das equipes médicas e do poder público de Erechim, mas ponderou que a estrutura física do hospital já não atende mais à demanda regional. “Tudo ficou pequeno no nosso hospital para as demandas de saúde. Portas pequenas, corredores pequenos”, descreveu.

Infraestrutura e financiamento
Para Neninho, o novo hospital deveria ser construído em um local estratégico, às margens de uma rodovia federal, com amplo estacionamento e fácil acesso, preferencialmente próximo ao aeroporto. “Com total segurança e, se preciso um transporte de urgência, através avião, estaríamos bem localizados correndo contra o tempo”, justificou.

Ele apresentou um modelo inspirado na arquitetura horizontal de hospitais como o Hospital da Cidade de Passo Fundo, com setores divididos por andares e elevadores privativos, separando UTIs, clínicas e pronto-socorro. Questionado sobre o financiamento, Neninho afirmou ser viável buscar recursos da ordem de R$ 200 milhões junto aos governos federal e estadual. “Por que não podemos buscar 200 milhões dos governos federal e estadual para fazer um novo hospital?”, provocou.

A ideia é transferir toda a estrutura humana e de equipamentos do atual Santa Terezinha para a nova unidade. O prédio atual, de propriedade do município, poderia ser vendido para financiar melhorias. O modelo de custeio seguiria o SUS, com aportes federal e estadual, além de cofinanciamentos . “Quanto maior a produção, mais o governo paga pela produção, e assim teríamos um ganho maior”, explicou.

Articulação regional e apoio
A proposta já conta com o apoio do Conselho Regional de Saúde, por meio da gestora Rosane Detofol, de Marcelino Ramos, e com a colaboração da equipe de saúde de Erechim . O prefeito destacou a importância de envolver o setor privado, com a participação de empresas que possam ter cotas no projeto. “As empresas têm seu plano de saúde que custa muito caro, e poderíamos trazer a iniciativa privada também”, disse.

Ele também defendeu a necessidade de debater em âmbito nacional a tabela SUS, apontada como insuficiente para o custeio dos hospitais. “Tem que ter algo garantido, porque a saúde não depende da boa vontade de alguém, precisa ter o recurso pronto”, argumentou. O presidente da AMAU afirmou que essa pauta já está sendo levada adiante pela entidade .

Próximos passos
Apesar de ainda não ter sido apresentada formalmente aos demais prefeitos da região, a ideia já está em articulação com lideranças e entidades. Neninho sinalizou que pretende chamar Jackson Arpini, especialista no setor de infraestrutura e planejamento, para integrar os debates, e reforçou o convite para que, lideranças políticas e a comunidade se engajem na mobilização.

“Hoje estamos levando pacientes para outras regiões, e tem pacientes de outras regiões vindo para cá. Quanto custa uma ambulância na estrada, o diesel, essa logística? Nós em saúde precisamos conquistar mais coisas, mas primeiro temos que ter uma nova infraestrutura hospitalar”, concluiu Neninho.

Por: Edson Machado – Jornalismo 98