Congestionamento na BR-153: falta de estrutura no Trevo do Atlântico afeta deslocamento entre bairros e centro

Região que reúne seis bairros do outro lado da rodovia é a que mais cresce no município, mas falta de passarela, túnel ou elevada transforma o trecho em ponto crítico de congestionamento e risco para pedestres

O Bairro Atlântico e mais cinco bairros localizados no outro lado da BR-153 formam, juntos, a região mais populosa e de maior crescimento de Erechim. O avanço da ocupação urbana, no entanto, não foi acompanhado pela infraestrutura necessária para garantir mobilidade e segurança a quem precisa cruzar a rodovia diariamente. O resultado é um dos pontos mais críticos do trânsito na cidade: o chamado Trevo do Atlântico.

Trevo do Bairro Atlântico – Foto: Pablo Nunes 98 FM

No local, convergem veículos leves e pesados, motocicletas, bicicletas e pedestres. O trecho também é entrada e saída para o Distrito Industrial e rota de coletivo urbano, onibus de trabalhadores e vans escolares, o que amplia a complexidade do fluxo. A ausência de uma passarela ou de um túnel para a travessia de pedestres obriga moradores a dividir espaço com o tráfego pesado da rodovia, em uma das principais vias que cortam o País.

Nos horários de pico, a situação se agrava. O congestionamento é intenso e demora a se dissipar, formando filas de veículos sobre a rodovia e nas vias adjacentes. Quem depende do trecho para chegar ao trabalho, à escola ou ao centro da cidade relata atrasos frequentes e sensação de insegurança.

Crescimento urbano pressiona estrutura viária

Expansão de bairros transforma região em novo polo econômico, mas trevos e acessos operam no limite da capacidade, sem espaço seguro para pedestres e ciclistas.

O crescimento acelerado dos bairros localizados do outro lado da BR-153 mudou o perfil da região. O que antes era área de passagem tornou-se um polo de moradia e de atividade econômica, atraindo novos moradores, comércios e serviços. No entanto, a infraestrutura de mobilidade não acompanhou esse avanço. O principal trevo de acesso à cidade, que deveria funcionar como porta de entrada e saída, opera hoje no limite de sua capacidade, sem alternativas seguras para quem circula a pé ou de bicicleta.

A situação não é isolada. Outros trevos ao longo da BR-153 apresentam os mesmos problemas estruturais e merecem atenção urgente, segundo moradores e especialistas em mobilidade. Entre os pontos críticos estão o trevo de acesso pelo Colosso da Lagoa (que no momento está sem a passarela que foi derrubada pelo DNIT com a promessa de construção de uma outra mais segura) e que liga os bairros Petit Village, Progresso, São José e Cristo Rei —, o Trevo do Aeroporto e o trevo que dá acesso ao Parque da ACCIE.

Gargalos e riscos diários
Quem utiliza esses acessos diariamente relata dificuldades crescentes. O volume de veículos aumentou, mas o número de faixas, sinalizações  permaneceu o mesmo. Em horários de pico, formam-se filas e o tempo de espera para cruzar a rodovia se torna imprevisível.

Para pedestres e ciclistas, o cenário é ainda mais preocupante. Sem calçadas adequadas, faixas de travessia ou passarelas, eles dividem espaço com carretas e carros em alta velocidade. “É um risco constante. Quem precisa atravessar a BR-153 para trabalhar ou estudar não tem opção segura”, relata um morador da região do Petit Village, que prefere não se identificar.

Especialistas em mobilidade urbana apontam que intervenções de maior porte — como passarela, elevada ou túnel — são as únicas capazes de separar os fluxos e reduzir conflitos entre veículos e pessoas. Essas obras, porém, dependem de recursos e articulação política em nível federal e estadual, já que a BR-153 é uma rodovia federal e para essas obras os valores são elevados.

Eleições colocam tema no centro do debate
Com as eleições se aproximando, moradores e lideranças comunitárias da região cobram compromisso dos candidatos. A reivindicação é que os postulantes assumam, publicamente, o compromisso de lutar pela viabilização das obras caso sejam eleitos.

“Não dá mais para conviver com esse gargalo. Precisamos de passarela, elevada ou túnel. É uma questão de segurança e de qualidade de vida para quem mora do outro lado da rodovia”, afirma seu Nelson um morador da região.

A expectativa é de que o tema entre na agenda do debate eleitoral e que os candidatos apresentem propostas concretas para destravar recursos e agilizar projetos de infraestrutura no trevo. A solução do problema, avaliam lideranças locais, beneficiaria não apenas os moradores dos seis bairros, mas toda a população que circula entre a região, o centro e o Distrito Industrial.

O que se cobra
Construção de passarela, elevada ou túnel no Trevo do Atlântico;

Melhoria na sinalização e na organização do fluxo viário;

Segurança para pedestres, ciclistas e motoristas;

Alternativas para desafogar o trânsito na BR-153 e nas vias de acesso aos bairros;

Compromisso dos candidatos com a captação de recursos para obras de maior porte.

Enquanto isso, o trevo segue como símbolo de um crescimento urbano que avançou mais rápido do que a infraestrutura — e como teste para os candidatos que disputam o voto de uma das regiões mais populosas de Erechim.

Por: Edson Machado – Jornalismo 98