Empresário e ex-secretário municipal destacou na Rádio 98 FM a necessidade de planejamento estratégico para os próximos 5 a 10 anos
O empresário diretor da Brastelha, Walmir Badalotti, foi o entrevistado no Estúdio 98 da Rádio 98 FM na manhã desta terça-feira (07). Aficionado por temas ligados ao desenvolvimento, ele defendeu projetos estruturantes para Erechim, a região e o Estado, com destaque para a criação de um anel viário e a ampliação da pista do aeroporto municipal.
Badalotti relembrou que, por volta de 2009, começou a cogitar a possibilidade de Erechim contar com um anel viário. Na época, a ideia surgiu diante da necessidade de ampliar o número de indústrias na cidade, já que o primeiro Distrito Industrial Irani Jayme Farina estava completamente ocupado. “Vivemos um momento econômico muito significativo. De 2009 a 2012, tive a felicidade de participar como secretário municipal. Todos os dias apareciam empresários buscando terrenos e pavilhões. A demanda era enorme”, recordou.
Ele também citou o caso da Plax Metal, indústria que ameaçava se transferir para outro estado. “Não queríamos perder essa importante empresa. Compramos uma área para mantê-la aqui. Foi uma luta árdua, e seus diretores queriam ficar. Hoje ela continua gerando emprego, renda e impostos”, afirmou.
Anel viário como corredor de desenvolvimento
Segundo Badalotti, o traçado do futuro anel viário já se apresentava naturalmente na época, utilizando a estrada que passa pela ervateira Cristalina e segue até a reta do São Roque. Ele defende a pavimentação do trecho faltante e a criação de acessos ao novo Distrito Industrial Giacomo Madalozzo — um pelo próprio anel e outro pela BR-153.
O empresário também revelou que, no passado, chegou a ser cogitado um distrito industrial no lado Leste da cidade, na saída para Chapecó, mas a área acabou ficando em “stand by”. Ainda assim, ele acredita que a região precisa ser desenvolvida. “Aquele anel viário que liga a Avenida Caldas Junior à ERS-211 e à BR-480 tem aproximadamente 5 km, com trânsito muito intenso. Um projeto para desafogar esse fluxo ligaria quatro rodovias e criaria um novo corredor de desenvolvimento, atraindo empresas”, explicou.
Badalotti ressaltou que os benefícios vão além do desvio de caminhões. “Hoje a região é praticamente residencial. Com o anel e a instalação de um novo distrito industrial naquela região do município, os trabalhadores não precisariam atravessar a cidade para chegar aos distritos industriais, ganhando qualidade de vida e mais tempo com a família. É um investimento que se paga rápido, com retorno muito maior. Precisamos ao menos dar o primeiro passo.”
Aeroporto: complexidade e exemplos de sucesso
Piloto de avião e usuário frequente do aeroporto de Erechim, Badalotti demonstrou profundo conhecimento sobre o tema. Segundo ele, a situação do aeroporto é ainda mais complexa que a do anel viário. “Está bem localizado, praticamente dentro da cidade, mas o crescimento ao redor da pista trouxe limitações. Não é mais permitida aproximação pela vertical da cidade, e a pista precisaria ser ampliada para cerca de 1.600 metros para receber aeronaves como o ATR, com capacidade para 70 passageiros.”
Ele destacou que a ampliação envolve múltiplas questões: quem executará, de onde virão os recursos (DAP, governo federal ou iniciativa privada) e como atender às exigências da ANAC. Badalotti citou o exemplo de Sorriso (MT), onde empresários se uniram para estruturar o aeroporto local. “Hoje a malha aérea de Sorriso tem três voos diários diretos para Campinas (SP), sem passar por Cuiabá.”
Para Erechim, ele afirma que é necessário organizar praticamente todo o terminal, incluindo aparelhos, estação meteorológica, rádio de comunicação e outros equipamentos. “Já colocamos o PAPI, que é importante, mas não basta ampliar a pista. Precisamos de muitos detalhes para operar voos. Antes de qualquer projeto, temos que sentar, analisar o que realmente precisamos e ver se temos recursos para tudo o que a ANAC exige, desde aparelhos até documentação para voos regulares de passageiros.”
Badalotti concluiu reforçando a urgência do planejamento: “Precisamos pensar o que fazer daqui a 5 ou 10 anos. É complexo, mas precisamos começar.”
Por: Edson Machado – Redação 98 FM
