A Prefeitura de Erechim formalizou uma ação judicial contra a concessionária de água e saneamento Aegea/Corsan, exigindo uma indenização superior a R$ 50 milhões. A medida é motivada pela falta de investimentos na rede e pelos recorrentes períodos em que a cidade ficou desabastecida. Além do valor indenizatório, a administração municipal pleiteia a aplicação de uma multa diária de R$ 52 mil, que deve vigorar até que a empresa apresente e execute um plano eficaz e definitivo para sanar a escassez de água no município.
O embate ganhou um novo capítulo durante a edição desta sexta-feira (29) do programa “Café com o Prefeito”, na Rádio 98FM. O prefeito Polis não poupou críticas à gestão da companhia, classificando a atuação da empresa como “nefasta” para o desenvolvimento da cidade.
“Levaram embora os equipamentos e motores que bombeavam água da barragem até o centro de tratamento e distribuição quando faltava energia. Além disso, não estão tratando o esgoto, o que polui nossos rios, e não estão recuperando as nascentes que abastecem nossa cidade”, disparou o gestor.
Polis também pontuou que a empresa falha em buscar alternativas de abastecimento compatíveis com o crescimento demográfico de Erechim, mantendo a dependência de mananciais utilizados há décadas. Somado a isso, o prefeito criticou os danos estruturais causados pela empresa nas vias públicas: “Sem contar os buracos que deixam nas nossas ruas”.
O chefe do Executivo reconheceu que o processo judicial pode se estender por longo prazo, mas enfatizou a necessidade de responsabilização. Segundo ele, ainda que as multas possam não ser arrecadadas durante a sua atual gestão, a empresa precisará arcar com os prejuízos causados tanto à população atual quanto às futuras gerações.
O prefeito destacou ainda o impacto financeiro que a situação gera para os cofres públicos, obrigando o município a realocar verbas que seriam destinadas a áreas essenciais. “A prefeitura precisa retirar dinheiro que poderia ser investido em pavimentação, saúde, educação e agricultura para aplicar na preservação das nascentes e evitar o desabastecimento, enquanto a Aegea/Corsan retira milhões mensalmente da população de Erechim. Isso precisa ter um basta”, concluiu.
Por Egidio Lazzarotto
