Adelar Parmeggiani falou sobre evento com a jornalista Kellen Severo, seguros rurais e as dificuldades do planejamento agrícola diante da instabilidade
O Presidente do Sicredi UniEstados, Adelar Parmeggiani, foi o entrevistado no Estúdio 98 na manhã desta quinta-feira (18). Durante a conversa, o dirigente abordou uma série de temas relevantes para o agronegócio da região, desde a programação de um evento com uma especialista até os desafios impostos pelas condições climáticas e econômicas.
Parmeggiani iniciou destacando o evento que ocorrerá na terça-feira (23) no CTG Sentinela da Querência às 19h15, em Erechim, que trará a palestra da jornalista Kellen Severo, especialista em Economia e Agronegócios. A profissional abordará cenários, tendências, riscos e oportunidades para o setor. A palestra em Erechim, no dia 23, será seguida por outra em Concórdia (SC) no dia 24 de junho. O presidente informou que foram disponibilizados 1.200 ingressos, que já estão praticamente todos distribuídos. Ele frisou que o momento é oportuno para trazer Kellen Severo, dada a delicada situação da economia brasileira e mundial, que impacta diretamente o agro. Parmeggiani lamentou não poder comparecer aos eventos, pois já havia agendado um encontro tradicional de presidentes das cooperativas Sicredi em Porto Alegre, que coincidirá com as palestras em Erechim e Concórdia.
Em relação às previsões climáticas desfavoráveis para este ano, com o anúncio de um super El Niño e possibilidade de estragos em lavouras, Parmeggiani ressaltou a dificuldade em prever quais regiões serão mais atingidas. Contudo, foi enfático ao recomendar que os produtores procurem a cooperativa para realizar um seguro. “Tudo que se constrói na vida e tem gente aí que trabalhou 10, 15, 30 e até 40 anos para ter uma propriedade e, de repente, em questão de 10 minutos perde praticamente tudo”, alertou. Ele lembrou que os eventos climáticos dos últimos anos têm sido muito intensos e causado prejuízos enormes. O Sicredi, segundo ele, fez um grande esforço para contatar as seguradoras e conseguiu reembolsar todos os associados que sofreram danos. “É importante que as pessoas passem nas agências, entrem em contato com seu gerente, avaliem seu imóvel, façam um seguro, porque tudo pode acontecer. Temos que estar preparados também na lavoura”, reforçou.
Sobre o plantio de trigo, Parmeggiani afirmou que poucos estão investindo na cultura este ano, devido aos custos e à baixa rentabilidade. Ele expressou preocupação, pois as previsões meteorológicas indicam um período mais chuvoso na época da colheita. No entanto, ponderou que há expectativa de secas severas em todo o mundo, o que pode valorizar o produto para quem conseguir produzir com cuidado e planejamento.
O presidente também comentou sobre a disponibilidade de recursos do Plano Safra do ano passado. Ele informou que o Sicredi ainda dispõe de linhas de crédito para financiamento de soja, milho e trigo, válidas até o final de junho. Sobre o novo Plano Safra, que ainda será anunciado, Parmeggiani disse não ter informações precisas, mas criticou a falta de um planejamento de longo prazo para o setor. “O agro é sem dúvida o investimento e retorno que temos para o país, e o importante seria o governo fazer um plano agrícola para 10 ou 15 anos”, defendeu. Ele apontou as dificuldades enfrentadas pelas cooperativas privadas, que precisam lidar com burocracias e multas por não utilização total dos recursos, ao contrário de instituições públicas, que têm maior flexibilidade.
Refletindo o atual momento de crise, Parmeggiani observou que as pessoas estão investindo menos em máquinas e equipamentos devido à situação do mercado financeiro e à dificuldade na aquisição de insumos. “Estamos orientando muita gente a vender o que pode ser vendido para pagar as contas, porque não se sabe como deverá ficar a situação econômica do país e do mundo”, declarou. Ele criticou a lentidão do sistema governamental na tomada de decisões para o agro, o que gera insegurança em toda a cadeia produtiva, afetando cooperativas, bancos e revendas. Como exemplo, citou a volatilidade do preço da ureia, que oscilou de 120 a 125 Reais para mais de 200 Reais e recentemente caiu para 137 Reais, impossibilitando um planejamento consistente. “Imagina fazer um planejamento em cima disso, o que se faz? Estamos a 60 dias do plantio de milho já. É difícil trabalhar assim”, concluiu.
Por: Edson Machado – Jornalismo 98
