Plano de Contingência une Defesa Civil, Força Voluntária e GRAU para evitar que a história se repita
Quem viveu novembro de 2025 na Capital da Amizade não esquece: em poucos minutos, o céu descarregou pedras de granizo de tamanhos nunca antes vistos, destruindo telhados, danificando lavouras e paralisando a cidade. A imagem dos entulhos acumulados em frente às residências e a comoção dos moradores ainda ecoam nas dependências do Grau e nos banco de dados da Defesa Civil. Agora, o desafio ganha novos contornos diante da iminência de um fenômeno climático de proporções históricas: o El Niño 2026-2027, que os modelos indicam como potencialmente um dos mais intensos desde 1997-1998.
“A lição que fica é que, unidos, sempre teremos capacidade de resiliência e reconstrução. Mas a experiência nos ensinou que não podemos esperar a tragédia para agir.” — afirma o prefeito Paulo Polis.
O rastro de destruição e a resposta rápida
O Rio Grande do Sul, e particularmente a região do Alto Uruguai, tem sido um dos termômetros da instabilidade climática nos últimos anos. Enquanto Barão de Cotegipe, Barra do Rio Azul, Mariano Moro e Severiano de Almeida sofriam com o excesso de chuvas e enchentes entre 2023 e 2024, Erechim foi poupada até aquele fatídico novembro de 2025.

A queda de granizo de grandes proporções deixou a cidade em estado de choque. Praticamente todos os telhados de imóveis foram afetados, além de expressivos prejuízos na lavoura. Mas foi a capacidade de resposta que virou notícia.
Coordenado pelo prefeito Paulo Polis, o Grupo de Resposta e Atendimento de Urgência (GRAU) A Defesa Civil de Erechim por Wagner Mânica, a Força Voluntária do Alto Uruguai por Ronaldo Mânica, a Defesa Civil (estadual e nacional), equipes dos Bombeiros, Brigada Militar e demais forças de segurança, entidades civis e centenas de voluntários anônimos organizaram uma força-tarefa relâmpago. Em tempo recorde, a cidade foi limpa e a reconstrução começou.
“Desde os nossos heróis do GRAU até aqueles que largaram seus trabalhos para transportar telhas e materiais de construção, todos serão sempre venerados por suas virtudes.” — destaca o coordenador da Defesa Civil de Erechim, Vagner Manica.
A nova ameaça: El Niño histórico em 2026-2027
O cenário de alerta, no entanto, está longe de terminar. Segundo os mais recentes boletins dos centros climáticos internacionais, o fenômeno El Niño já está instalado no Oceano Pacífico Equatorial. As projeções para o ciclo 2026-2027 indicam que este episódio pode rivalizar com os eventos históricos de 1982-1983 e 1997-1998 — considerados referência em magnitude de impactos globais.
Os modelos climáticos sugerem a possibilidade de um “Super El Niño” ainda no segundo semestre deste ano, com chuvas intensas, enchentes, vendavais, granizo, deslizamentos e até interrupção no fornecimento de energia elétrica. A dimensão exata do pico de intensidade ainda é uma incerteza, mas a mensagem da Defesa Civil é clara: preparar-se para o pior cenário.

Plano de Contingência: tecnologia, drones e integração
Diante desse quadro, o município de Erechim decidiu ir além da reação. Na última semana, o coordenador da Defesa Civil, Vagner Manica, e o presidente da Força Voluntária Alto Uruguai, Ronaldo Manica, apresentaram aos secretários municipais o Plano de Contingência para o El Niño.
O plano envolve todas as áreas do governo municipal num esforço preventivo e organizado. Entre os destaques apresentados:
*Eixo de atuação Ações previstas
*Inovação e tecnologia Sistemas informatizados de atendimento, aplicativos para emergências e uso de drones para reconhecimento de áreas de risco
*Estrutura operacional Fortalecimento do GRAU e ampliação da capacidade de resposta imediata
*Cenários contemplados Chuvas intensas, enchentes, alagamentos, vendavais, granizo, deslizamentos e apagões elétricos
*Integração comunitária, articulação com voluntários, entidades e setor privado para logística emergencial
“A experiência com o granizo de 2025 reforçou a necessidade de planejamento permanente. Não podemos mais atuar apenas na urgência; temos de antecipar.” — afirmou Ronaldo Manica, presidente da Força Voluntária.
O exemplo do Alto Uruguai e a memória da resiliência
A região como um todo aprendeu duras lições. Barão de Cotegipe, Barra do Rio Azul, Mariano Moro e Severiano de Almeida, que sofreram com as chuvas excessivas de 2023 e 2024, instalaram planos emergenciais de reconstrução que serviram de modelo para outras localidades. Erechim, agora, transforma o trauma do granizo em um legado de prevenção.
A imagem dos dias de destruição talvez nunca seja apagada da memória afetiva da população. Mas a narrativa que se constrói hoje é outra: a de uma cidade que, ainda sob risco de novos fenômenos extremos, decidiu se antecipar, se organizar e se proteger. Como resume o prefeito Paulo Polis:
“A vida segue. E segue mais forte quando estamos juntos.”
Por: Edson Machado – Jornalismo 98
Fonte: Comunicação PME e Meteorologista Piter Scheuer
