Em meio à alta de juros e inflação, mais de 74 milhões de brasileiros têm contas atrasadas; dados são do IBGE, Serasa e SPC Brasil
O comentarista de economia Túlio Lichsteinten fez um alerta preocupante sobre a saúde financeira das famílias brasileiras durante o programa TL News desta quarta-feira (27), na rádio 98 FM. Com base em levantamentos do IBGE, Serasa e SPC Brasil, o especialista traçou um panorama crítico do endividamento da população pessoa física no país.
De acordo com os dados apresentados, 74,8 milhões de brasileiros possuem contas em atraso. O número representa um aumento de 17% em abril de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025. O valor médio da dívida por cidadão inadimplente chega a R$ 5.011, e cada devedor deve, em média, a 2,34 empresas – ou seja, o endividamento não está concentrado em uma única instituição.
Os principais credores são concessionárias de água e luz, empresas de comunicação (TV, internet, telefonia) e instituições bancárias. Entre os consumidores endividados, a cada 10 brasileiros, três devem até R$ 500,00 e quatro devem até R$ 1.000,00.
Um dos pontos mais preocupantes, segundo Lichsteinten, é a faixa etária predominante entre os devedores: 54% da população endividada tem entre 30 e 39 anos, o que representa 18,23 milhões de pessoas. “É justamente a fase da vida em que a pessoa teria maior condição de ter educação financeira e controle de gastos, mas os números mostram o contrário”, comentou o analista.
Em números absolutos, o Brasil soma 80,4 milhões de famílias endividadas. O percentual de CPFs negativados por inadimplência chegou a 81%, o que significa que 46% da população do país está inadimplente. O índice de endividamento total atingiu R$ 438 bilhões.
Lichsteinten destacou que, a cada 100 Reais recebidos pelo cidadão brasileiro, 30 Reais são comprometidos com o pagamento de dívidas de juros de cartão de crédito, cheque especial, boletos e carnês. “Isso mostra um cenário de alta taxa de juros, inflação elevada e carga tributária alta, onde o poder de consumo diminui e o valor do dinheiro se reduz dia após dia”, afirmou.
O comentarista lembrou ainda que nesta quarta-feira (27) há agenda para divulgação de novos dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que devem dar pistas sobre a possibilidade de novos cortes na taxa básica de juros na próxima reunião do Copom. “O mercado financeiro não está dos melhores, e os índices de inadimplência refletem uma realidade que a gente enxerga nas ruas: um país vivendo sob pressão econômica, sem trégua para o bolso do trabalhador”, concluiu.
Por: Edson Machado – Jornalismo 98 FM
