Previsão do meteorologista Peter Scheuer indica fenômeno forte a partir de junho, com temporais frequentes, elevação dos rios e temperatura acima da média no Sul do Brasil
Após um outono de transição, o Rio Grande do Sul se prepara para um cenário climático desafiador na segunda metade de 2026. De acordo com o meteorologista Peter Scheuer, o El Niño que se configura no Oceano Pacífico Equatorial será forte e trará impactos significativos para a Região Norte do estado, com chuvas acima da média, tempestades frequentes e risco elevado de enchentes em rios da fronteira noroeste.
Em boletim para a 98 FM, Scheuer explicou que, embora o inverno deste ano não seja tão rigoroso quanto o de 2025, a virada de tempo ocorrerá de forma gradual. “O inverno não será tão rigoroso até a metade do ano. Depois, com o El Niño forte configurado, teremos a interatividade com a atmosfera. As chuvas vão ficar próximas ou acima da média entre o inverno e a primavera”, afirmou.
Diferentemente do ano passado, quando massas de ar polar intensas e duradouras atingiram o estado, o inverno de 2026 deverá apresentar episódios de frio mais curtos e intercalados com períodos de aquecimento. “Teremos frio, mas nada comparado com 2025. Haverá geadas, porém menos prolongadas. Massas de ar frio não serão duradouras”, detalhou o meteorologista.
Embora o acoplamento oceano-atmosfera se consolide mais claramente a partir de junho, Scheuer adverte que já em maio os primeiros sinais do fenômeno poderão ser sentidos. “Não é tão significativo, mas é representativo. Quem sabe já em maio começa a ter alguma influência. Agora, de junho, julho, agosto, setembro até o final do ano, teremos a influência plena de um El Niño forte”, afirmou.
Norte do RS e Oeste catarinense na mira dos temporais
A região mais afetada deverá ser o Oeste da Região Sul do Brasil, incluindo o Noroeste e o Norte do Rio Grande do Sul. Segundo Scheuer, a previsão inclui tempestades mais frequentes e ativas, com potencial para formação de temporais severos, “tornados isolados e microexplosões”. Esses fenômenos, embora localizados, representam alto risco para áreas rurais e pequenos municípios.
As cheias históricas nos rios da bacia do Uruguai devem voltar a preocupar. “As enchentes que acontecem no Rio Uruguai, Rio Chapecó, Irani, Rio Itajaí Açú no Vale do Itajaí, assim como outros rios do Sul do Brasil, vão sofrer sim com problemas associados a enchentes”, alertou o meteorologista. Ele recomenda que defesas civis e moradores de áreas ribeirinhas fiquem em alerta já a partir de junho.
Enquanto abril concentra chuvas no Sudeste e Centro-Oeste, no Sul do Brasil o panorama é de irregularidade. “No centro-sul do Rio Grande do Sul, as chuvas ficam abaixo da média. Já no oeste da região Sul, ficam próximas ou um pouco acima”, explicou Scheuer. Em maio, a tendência é de melhora no Oeste, mas o cenário crítico se consolida a partir de junho, com pico de precipitação previsto para setembro.
Outro ponto de atenção são as temperaturas. Além das chuvas volumosas, o El Niño forte deve elevar as médias térmicas no Sul do país durante a primavera. “As projeções mostram a temperatura no Equador: as águas já estão bem aquecidas e aumentam no decorrer do ano”, afirmou Scheuer. “Por tudo o que se vê, teremos um El Niño forte em 2026.”
Alerta final: “Fiquem atentos”
O meteorologista concluiu com um chamado à precaução: “Vamos ficar atentos aos alertas que estamos passando.” A recomendação é que governos municipais e estaduais revisem planos de contingência para enchentes, especialmente nas bacias do Rio Uruguai e seus afluentes, e que a população evite áreas de risco durante temporais previstos para o segundo semestre.
A previsão indica que 2026 entrará para a história como um ano de extremos climáticos no Sul do Brasil, exigindo preparo e informação contínua.
Por: Jornalismo 98 FM
Fonte: Meteorologista Peter Scheuer
