Especialista da Express Soluções Financeirs prevê queda do Ibovespa e alta do dólar; inflação e juros futuros acendem alerta para decisão do Copom
O comentarista Economico, empresário e diretor da Express Soluções Financeiras, Tulio Lichtenstein, utilizou seu espaço no Estúdio 98, da rádio 98 FM, na manhã desta quarta-feira (8), para traçar um panorama preocupante, porém técnico, sobre os reflexos da trégua no conflito do Oriente Médio nos mercados nacional e internacional.
Segundo Lichtenstein, o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos conflitos do Oriente Médio, já produziu impactos significativos. O principal deles foi a forte descompressão nos preços do petróleo, que chegaram a cair 20% de imediato. Na manhã desta quarta-feira, as cotações se mantinham com quedas entre 12% e 15%.
“Onde chama a atenção são as empresas petrolíferas listadas na Bolsa Brasileira. A Petrobras, que mantém de 30% a 40% do índice Ibovespa, e a PRIO, outra petrolífera de grande relevância, estavam muito esticadas, batendo entre 70 e 72 reais. A gente vai sentir um recuo agora em função da queda do petróleo”, afirmou.
Com base nesse movimento, o comentarista projeta um dia de perdas para o principal índice da bolsa brasileira. “Minha percepção é de que o Ibovespa vai recuar um pouco hoje, por conta das petrolíferas. A minha visão é de que ele venha para baixo.”
Dólar e juros futuros sob pressão
Em relação ao câmbio, Lichtenstein antecipa uma leve conversão de alta. “Ontem a cotação fechou nos 5 reais e 15 centavos. Faço uma leitura de que hoje deverá ir a 5 reais e 20 centavos.” Ele justifica a expectativa pelo fluxo de recursos externos atraídos pela Selic, atualmente a segunda maior taxa de juros do mundo. “O Brasil não está diretamente ligado a esse conflito, mas, por ser um país emergente, a gente está sentindo. Os próprios fertilizantes tiveram aumento de 20% a 30%.”
Outro ponto de atenção destacado por Tulio foi o comportamento dos juros futuros (DIs). “Todos eles explodiram”, resumiu, mencionando a forte alta registrada na noite anterior. Esse movimento acende um sinal de alerta para a reunião do Copom, marcada para o final de abril, justamente quando o mercado esperava o início de um ciclo de cortes na taxa básica de juros.
Inflação e a incógnita do Copom
Os dados inflacionários reforçam a cautela. “Nós estamos com 1,06% de inflação acumulada em 2026. Nos últimos 12 meses, já estamos com quase 4% de inflação. Teoricamente, esse índice teria que estar abaixo para termos uma queda agora no final de abril”, explicou.
Diante desse cenário, Lichtenstein demonstrou ceticismo quanto a um alívio nos juros. “Minha preocupação é que a gente não vai ter cortes da taxa básica agora na próxima reunião do Copom. Fica a expectativa: será que essa queda do petróleo vai conter a alta da inflação e a gente voltar a enxergar a taxa de juros com corte já em abril? É muito duvidoso, fica uma incógnita, porque realmente a gente não sabe o que pode acontecer.”
O diretor da Express Soluções Financeiras concluiu seu comentário com um conselho direto aos investidores. “Hoje vai ser um dia em que a gente vai estar muito aflito acompanhando o mercado financeiro. Acho que cautela é primordial, principalmente para quem quer fazer algum trading, obter alguma rentabilidade maior.”
Por: Edson Machado – Redação 98FM
