FETRAF-RS questiona extinção da SDR e cobra garantias para a agricultura familiar

Coordenador geral da federação, Douglas Cenci, aponta preocupação com a continuidade dos programas estaduais e com a articulação de políticas públicas junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar

A decisão anunciada pelo governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco, de reunir as áreas de Agricultura e Desenvolvimento Rural em uma única secretaria gerou questionamentos da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (FETRAF-RS). Para a entidade, a extinção da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) como pasta independente levanta dúvidas sobre a continuidade e a execução das políticas públicas destinadas à agricultura familiar.

Em manifestação sobre a decisão, o coordenador-geral da FETRAF-RS, Douglas Cenci, criticou a mudança e destacou a importância de uma estrutura específica para conduzir programas voltados ao setor. Segundo ele, o Estado reúne 294 mil famílias de agricultores familiares, responsáveis por mais de 600 mil empregos e por grande parte dos alimentos que chegam à mesa dos gaúchos e gaúchas.

Um dos principais pontos levantados pela federação é a capacidade de fazer com que os programas públicos cheguem efetivamente às propriedades rurais. Cenci questiona como serão executadas as ações que estavam sob responsabilidade da SDR, considerando que, conforme a avaliação da entidade, já existiam dificuldades de acesso dos agricultores a algumas dessas políticas. A entidade também questiona se a extinção da secretaria como pasta independente representará, de fato, redução das despesas do Estado.

A FETRAF-RS também chama a atenção para o papel da secretaria na interlocução com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Na avaliação da entidade, essa articulação é importante para encaminhar demandas do setor e facilitar o acesso a recursos e programas federais. A federação considera que a mudança pode trazer dificuldades para esse diálogo e defende esclarecimentos sobre como a função será desempenhada na nova estrutura.

Para a FETRAF-RS, a questão central é como o governo estadual pretende manter o atendimento aos agricultores familiares e a articulação das políticas públicas após a reorganização administrativa. A federação considera a extinção da SDR como secretaria independente um equívoco político e econômico e pede atenção às necessidades das famílias que vivem da agricultura familiar no Rio Grande do Sul.

Por: Vanessa Albuquerque – Comunicação FETRAF RS