Prefeito Paulo Polis esclarece georreferenciamento e anuncia canal de contestação por WhatsApp

Em entrevista à 98 FM, Polis afirmou que município só cobrará o que for correto após nova medição e garantiu que proprietários não visitados até dezembro não terão reajuste em 2027

Durante o Café da Manhã desta sexta-feira (23), no Estúdio 98 da rádio 98 FM de Erechim, o prefeito Paulo Polis comentou sobre o processo de georreferenciamento e recadastramento imobiliário do município. Na ocasião, ele reconheceu a preocupação dos vereadores com o tema e anunciou a disponibilização de um canal via WhatsApp para que os proprietários notificados possam fazer contestações.

Segundo o prefeito, a questão vem sendo apontada pelo Tribunal de Contas há bastante tempo. “Os vereadores foram conversar comigo e a secretaria da Fazenda dispõe de um canal via WhatsApp para que as pessoas que foram notificadas possam fazer esse contato”, explicou. Polis destacou que compreende a inquietação da população: “Ninguém gosta de que se cobre o que não está sendo cobrado, mas 82% da nossa população paga certinho e está com tudo regularizado. Essas pessoas perguntam como é que o vizinho construiu um tanto a mais e não conseguiu regularizar.”

O prefeito ressaltou que o georreferenciamento é um tema com muita tecnologia embutida e que, por isso, poderá haver erros e dúvidas. “Os vereadores, legitimamente, vieram conversar comigo e eu disse que não tem problema. Por isso criamos canais diferentes: além da secretaria da Fazenda, estamos disponibilizando esse canal de WhatsApp, onde o proprietário faz a sua contestação e encaminha fotos, o que for necessário para ser analisado. Vamos acompanhar, porque além da equipe que contratamos, tem a nossa equipe da prefeitura que vai estar junto”, afirmou.

Polis também saiu em defesa do trabalho dos vereadores: “Acho que os vereadores têm razão de estar lá, porque a reclamação vem para eles. Vamos dizer que vai ter lá 500 a 600 famílias, mas são 45 mil propriedades em Erechim. Parece um volume grande porque vão cinco famílias para um vereador, oito para outro, dez para outro. Não tem problema, nós vamos atender todos e só vamos cobrar o que é certo depois que for medido novamente.”

O prefeito foi enfático ao garantir que ninguém será cobrado indevidamente. “Ninguém vai cobrar nada do que seja de direito público. Quem não concordar pode fazer a contestação, e a secretaria municipal da Fazenda está dando explicação de caso a caso, um a um”, disse. Ele explicou que o aumento da área construída identificado pelo georreferenciamento vem de oito a dez anos atrás e que a atualização é exigência legal. “Estávamos deixando, deixando, e agora que fizemos o georreferenciamento o Tribunal de Contas disse que, o deixar de fazer pode caracterizar renúncia de receita para o município'”, relatou.

Prazo e compromisso com 2027
Polis anunciou que até dezembro a prefeitura pretende visitar todos os que contestaram. “Aqueles que não forem visitados dentro do prazo deste ano, não terão o reajuste no ano de 2027. Fica bem claro: os proprietários que contestaram e as equipes técnicas não conseguiram visualizar in loco não terão modificação nos valores em 2027”, garantiu. Segundo ele, dos 18% das famílias que contestaram, mais de 15% já concordaram, restando cerca de mil famílias que estão buscando esclarecimentos, inclusive junto aos vereadores.

Comparação com outros municípios e responsabilidade fiscal
O prefeito fez questão de comparar a situação de Erechim com a de outros municípios que, segundo ele, não fizeram “a lição de casa”. “É o caso de Caxias do Sul, que está devendo 1 bilhão e meio, está fazendo empréstimo de 500 milhões para pagar custeio, para conseguir pagar salário. Eu não vou deixar esqueleto no armário para o próximo prefeito”, afirmou.

Polis defendeu o equilíbrio entre receita e despesa. “Você não tem todas as pessoas na escola de graça, você não tem uma estrutura de saúde como nós temos de graça, uma estrutura de distritos industriais, de corredores de desenvolvimento de graça, é aonde nós gerenciamos isso. Então tem que olhar os dois lados, porque a despesa aumenta naturalmente. Nós não vamos cobrar nada do que não for de direito”, concluiu.

Por: Edson Machado – Jornalismo 98