Por que os idosos preferem o transporte urbano pela manhã, mesmo com ônibus lotados, em vez do período da tarde?

Com a notícia de que o município de Erechim deverá aportar, mais uma vez, R$ 1,66 milhão para socorrer a concessionária do transporte coletivo, torna-se evidente que, sem esse subsídio, o sistema entraria em colapso. Esta não é uma realidade exclusiva de Erechim, mas um desafio estrutural da maioria dos municípios brasileiros. No entanto, a administração pública não pode apenas realizar o aporte financeiro sem exigir contrapartidas contratuais que garantam a melhoria na qualidade dos serviços, visando incentivar os munícipes a utilizarem o sistema novamente.

Será que a comissão composta pelo Executivo, Legislativo, AGER e corpo técnico utiliza o transporte público para diagnosticar por que, no turno da manhã, os veículos operam com saturação de passageiros idosos, enquanto o usuário pagante migra para modais alternativos? Não se trata de ser contra a gratuidade — os idosos possuem direitos adquiridos e merecidos após anos de contribuição.

O ponto crítico é que o transporte coletivo carece de atrativos de mercado para reter o passageiro pagante. A ausência de frotas com ar-condicionado, por exemplo, é um gargalo operacional que compromete o bem-estar dos usuários sob temperaturas de 30 graus, forçando-os a buscar alternativas mais confortáveis. Sem investimentos em conforto e eficiência, a evasão de receita continuará, agravando o déficit financeiro da concessionária e a dependência de socorros públicos.