Chapecó Espelha Erechim na Batalha contra Concessionária de Água

Erechim e Chapecó vivem narrativas praticamente idênticas na luta pela qualidade dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto. Enquanto a cidade gaúcha enfrenta uma novela que já dura anos com a Corsan e sua sucessora Aegea/Corsan, a cidade catarinense acaba de abrir o primeiro capítulo de um conflito que promete ser igualmente desgastante.

Em Erechim, a história é conhecida: sucessivos editais para substituição da concessionária esbarram sistematicamente na Justiça. A Aegea/Corsan, através de liminares estratégicas, consegue suspender cada tentativa municipal de avançar. O resultado é um município preso em um limbo administrativo, onde a insatisfação com os serviços convive com a impossibilidade legal de mudança.

Chapecó, porém, resolveu agir com mais agressividade. O prefeito João Rodrigues, exaurido pelos serviços prestados pela estatal Casan, rompeu definitivamente o contrato e lançou novo edital. A resposta foi imediata: a Casan recorreu à Justiça catarinense e obteve uma liminar provisória que paralisou o ato municipal. Agora, a concessionária mantém os serviços sem os investimentos necessários enquanto o processo judicial segue seu curso moroso.

O que chama atenção é a similaridade das estratégias. Ambas as concessionárias utilizam o aparato judicial como ferramenta de resistência, transformando disputas administrativas em batalhas legais intermináveis. Enquanto isso, os cidadãos pagam pela água e pelo esgoto sem receber o padrão de qualidade esperado.

A diferença crucial está no tempo: Erechim já está em sua “novela mexicana”, sem perspectiva de desfecho. Chapecó ainda está no primeiro capítulo, mas segue o mesmo roteiro. A questão que fica é inevitável: quando será o capítulo final para ambas as cidades?