“Água e luz é o básico”: Polis critica RGE e Aegea por serviços e cobra punições mais severas

Em entrevista no programa Café com o Prefeito, o chefe do Executivo municipal afirmou que concessionárias não cumprem papel e que atendimento ao consumidor é superficial

O prefeito Paulo Polis utilizou o programa Café com o Prefeito, na manhã de ontem  (14), na Rádio 98 FM, para fazer duras críticas à qualidade dos serviços prestados pela RGE e pela Aegea no município. Durante a entrevista, o chefe do Executivo municipal afirmou que ambas as empresas não estão cumprindo seu papel e cobrou punições mais severas por parte do Poder Judiciário.

Investimentos aquém do necessário

Polis iniciou sua fala destacando que as reclamações sobre a RGE são recorrentes e que a empresa não acompanha o ritmo de crescimento da cidade.

“A RGE trabalha em diversos municípios do Rio Grande do Sul e que nós em nossa cidade temos uma deficiência grande. Os investimentos da empresa são sempre aquém do necessário. Eles precisam se planejar. Nós município estamos criando Distritos Industriais, novos loteamentos, centenas de habitações, então tem que se planejar, ver qual é o ritmo de crescimento de uma cidade para se organizar”, afirmou.

Segundo o prefeito, o mesmo problema se repete com a Aegea, concessionária responsável pelo serviço de água e esgoto. “Infelizmente nenhuma das duas está cumprindo o seu papel”, disparou.

Procon e Ministério Público acionados

O prefeito afirmou que já orientou a diretora do Procon municipal a adotar medidas mais enérgicas, incluindo o acionamento do Ministério Público. “Quando aconteceu pela primeira vez eu já falei para a diretora Rosely Batistti do Procon, além de cobrarmos da direção da RGE, precisamos também acionar o Ministério Público”, declarou.

Polis criticou ainda a atuação da AGERGS, agência reguladora responsável pela fiscalização. “A AGER está mais perto, é com ela a fiscalização da Aegea. Parece que existe uma blindagem. Na verdade é isso, mas não é por falta de cobrança, isso é estrutural.”

Aumento abusivo nas faturas e falta de transparência

O prefeito mencionou relatos de consumidores que tiveram aumentos significativos em suas contas de energia. “Em alguns lugares do estado, municípios estão já a cinco, seis dias sem energia elétrica. Tem alguns casos aqui que a fatura passou de 200 para 700 Reais, de 100 passou para 300 Reais. Como é que acontece isso? Como é feita a medição? Esclareçam isso. Peguem e clareiem isso para a população, tem que fazer as coisas com transparência”, exigiu.

Polis ressaltou a assimetria na cobrança que recai sobre o poder público municipal. “Por que é que todos nós somos cobrados? A Prefeitura se fizer qualquer coisinha fora, já tem a Câmara de Vereadores, Ministério Público, Tribunal de Contas na fiscalização. Mas esse pessoal, daí tu vai lá e cobra um tema relacionado ao Procon por exemplo, eles desdenham.”

“Justiça precisa punir”

O prefeito defendeu que o Judiciário adote uma postura mais rigorosa em relação às concessionárias de serviços essenciais. “Vai ter que chegar um momento onde a Justiça, Tribunal de Justiça em Porto Alegre, em Brasília, diga: isso é um serviço público de alta necessidade. Água e luz é o básico de qualquer um. Então esse tipo de coisa tem que ter punições muito mais severas. Essa é a verdade dos fatos.”

Polis criticou as respostas protocolares das empresas diante das reclamações. “Eles respondem lá uma coisa protocolar: ‘olha, estamos vendo’. Não, não é assim.”

Atendimento precário e estagiários

O prefeito também abordou a qualidade do atendimento presencial nas lojas das concessionárias, especialmente da Aegea. Segundo ele, a empresa coloca estagiários para atender o público e parece fazer questão de dificultar o acesso. “No da Aegea colocam estagiários. Porque parece que fazem questão de dizer: quanto mais longe e mais superficial que se faça o atendimento, mais fácil para eles.”

Polis defendeu que o atendimento deveria ser facilitado para a população, sugerindo, por exemplo, que os escritórios fossem instalados próximos ao terminal de ônibus. No entanto, reconheceu que o município tem poder limitado nessa questão por se tratar de empresas privatizadas. “Isso aí tem que ter punição severa, punição de milhões para que eles comecem a mudar”, enfatizou.

Atuação do Ministério Público

O prefeito mencionou o trabalho do promotor Fabrício Alegretti como um avanço, mas ponderou que a atuação do MP é apenas uma etapa. “Penso que o Ministério Público e o promotor Fabrício Alegretti é um promotor muito atento a essas coisas e tenho certeza que ele já deve estar atuando em cima disso. Só que acontece: ele é uma etapa, depois vai para a Justiça e a Justiça tem que olhar essas punições de uma maneira mais efetiva.”

Polis finalizou reforçando que a população não pode ficar refém de serviços precários quando se trata de necessidades básicas como água e energia elétrica.

Por: Edson Machado – Jornalismo 98