Dirigentes da Agricoop destacam crescimento e sucessão familiar como pilares da bacia leiteira do Alto Uruguai

Em entrevista ao programa Estúdio 98, presidente e vice-presidente da cooperativa analisaram a evolução do setor na região, que se consolidou como uma das principais bacias leiteiras do estado

O presidente da Agricoop, Mario Farina, e o vice-presidente, Edson Luis Sirena, participaram na manhã desta quinta-feira (30) do programa Estúdio 98, da Rádio 98 FM de Erechim. Durante a entrevista, os dirigentes apresentaram um panorama da bacia leiteira da região do Alto Uruguai, destacando o crescimento da atividade e a importância da sucessão familiar para a continuidade do setor.

Com 33 anos de atuação na região, a Agricoop conta atualmente com 267 produtores de leite, que produzem uma média de 7 mil litros por propriedade por dia. Segundo Sirena, a região evoluiu significativamente na produção leiteira, com muitas propriedades se definindo na atividade — uma mudança radical em relação ao cenário da década de 1990, quando o leite era tratado como uma atividade marginalizada nas propriedades. Dados acadêmicos confirmam essa transformação: entre os anos 2000 e 2018, a produção de leite no Alto Uruguai cresceu 336% em relação à década anterior .

“Temos uma produção leiteira na região do Alto Uruguai que está entre uma das maiores do estado”, afirmou Sirena. O vice-presidente atribuiu parte desse crescimento à entrada de jovens no campo: “Os jovens viram a atividade leiteira como algo que tem dado resultado. Hoje o leite consegue ter uma boa renda, manter a propriedade e garantir a sucessão familiar, e isso é muito importante.”

Por outro lado, o presidente Mario Farina abordou a redução no número de produtores, um fenômeno que acompanha a concentração da atividade em todo o setor leiteiro gaúcho . “Naquela propriedade onde o casal não tem sucessão, já se aposentou ou está prestes a se aposentar, para continuar na atividade exige investimento. Então, acaba parando”, explicou. “Por outro lado, a propriedade que se define na continuidade da produção acaba investindo e dobrando, às vezes até triplicando, a produção.”

Farina destacou o papel fundamental das cooperativas nesse processo. “Fizemos um trabalho de fomento, de assistência técnica, de acompanhamento ao produtor. Acredito que esse é um dos principais fatores que melhorou significativamente a produção e a produtividade”, afirmou. Segundo ele, a realidade hoje é completamente diferente da de 30 anos atrás, com investimentos em equipamentos, ordenhadeiras, resfriadores e melhoria contínua dos animais.

Os dirigentes também lembraram a parceria da Agricoop com a Santa Clara, firmada em 2019. Toda a produção é entregue à cooperativa, que possui indústria no Alto Uruguai, na cidade de Getúlio Vargas, com capacidade de processamento de quase 200 mil litros por dia na safra. “Não é só um contrato de entrega, nós temos um trabalho de intercooperação, alguns ajustes na produção, na qualidade do leite”, destacou Sirena. A produção é industrializada em queijo fatiado, muçarela e creme de leite, entre outros alimentos, gerando emprego e agregando valor à produção regional.

“Buscamos crescer junto com o associado”, afirmou Farina. “Temos produtores com volume de quase 300 litros por propriedade por dia, e estamos sempre auxiliando todos os associados, independentemente do volume de produção, para melhorar a vida de cada produtor e de sua família.”

Por: Edson Machado – Jornalismo 98