No programa Estúdio 98 da Rádio 98 FM, a Gerente da EMATER Regional falou sobre os desafios climáticos para 2026 e a nova postura da instituição diante de eventos extremos, além de alertar para a necessidade de proteger o solo das lavouras.
A Gerente Regional da EMATER, Fernanda Tacca Angonese, participou do programa Estúdio 98 na Rádio 98 FM de Erechim nesta terça-feira (21) para discutir as previsões climáticas para o ano e os aprendizados deixados pelas calamidades de 2024. Segundo Fernanda, o estado do Rio Grande do Sul e a própria instituição passaram por um “divisor de águas” com as enchentes que assolaram o estado em 2024.
“Naquele momento, nós institucionalmente não tínhamos um plano de contingência em relação a eventos extremos. Não havia planejamento de ações e o aprendizado daquele momento nos trouxe essa organização”, afirmou a gerente, ressaltando que, em 2026, a EMATER é uma entidade que participa ativamente do grupo intersetorial de gestão de eventos extremos do Rio Grande do Sul e possui um comitê gestor interno para organizar ações.
Plano de Ações e Desafios no Meio Rural
Fernanda detalhou que o novo plano de ações da EMATER começa com a “identificação e acolhida” das famílias em áreas de risco . Ela destacou uma diferença crucial entre a resposta a desastres no meio urbano e no rural. “No meio urbano, nós temos os equipamentos de proteção social e urbana muito próximos. Vamos lembrar da tragédia do granizo no ano passado, os moradores da cidade se deslocaram até o GRAU e acessaram as lonas. E o meio rural? Esse está mais distante territorialmente”, comparou.
Para superar essa distância, a EMATER está estruturando uma rede de informação que inclui grupos de WhatsApp e a relação de proximidade dos técnicos com os agricultores. O objetivo é que a instituição seja uma “porta de entrada” para notificações de necessidade de ajuda e acionamento da Defesa Civil, especialmente para famílias que possam ficar isoladas devido ao transbordamento de rios e pontilhões.
Produção Agropecuária e Manejo do Solo
Sobre o período de El Niño mais forte, previsto para setembro, outubro, novembro e dezembro, a diretora foi cautelosa, mas direta. “A produção agropecuária é uma indústria a céu aberto. A depender do nível e da quantidade dos volumes de chuva, o impacto será maior ou menor. É difícil nesse momento mensurarmos”, disse. No entanto, ela enfatizou uma orientação fundamental: manter o solo coberto.
“Observamos no último período de chuvas intensas, em 30 de junho, 1 e 2 de julho deste ano, que as áreas com cobertura de solo não sofreram danos com a erosão. Mas aquelas onde não havia cobertura, com a plantação de trigo recente, nós observamos perda de solo”, alertou Fernanda. Ela explicou que essa camada fértil, levada pela erosão, demorou anos para ser formada e não se recupera em poucos meses.
A orientação da EMATER e da Embrapa é para que o produtor rural estruture um plano de manejo para manter o solo coberto a maior parte do tempo, com práticas como plantar imediatamente após a colheita e investir em matéria orgânica e bioinsumos. “Se a equipe técnica recomenda a utilização de defensivos para fungos ou pragas, mais propensas nesses períodos de umidade, que o produtor invista. A gente sabe que o preço da commodities está baixo, mas precisamos equilibrar a produção para não ter perdas ainda maiores”, aconselhou.
Alternativas ao Trigo e Novas Culturas
Fernanda também abordou a queda no plantio do trigo na região de Erechim. Ela apontou dois motivos principais: a sensibilidade da cultura a prejuízos nos últimos anos e a busca por alternativas mais seguras e rentáveis.
“O produtor rural está mais cauteloso e fez opção por novas alternativas de cultivo no inverno”, explicou. Ela citou o aumento da área plantada com canola e a chegada da carinata, uma oleaginosa de inverno que não compete com as principais culturas do estado. “A carinata pode ser usada para a produção de combustível de avião e trazer renda com investimento médio para as propriedades rurais. São alternativas que têm entrado com bastante intensidade porque trazem um pouco mais de segurança em relação ao preço”, concluiu Fernanda.
Por: Edson Machado – Jornalismo 98
