O avanço do projeto de pavimentação da Transbrasiliana, no trecho que liga Erechim a Passo Fundo, deve traçar um novo e preocupante destino para a infraestrutura da região norte do Estado. O anúncio das obras praticamente inviabiliza os planos de concessão e a tão aguardada duplicação da ERS-135, transformando a melhoria da rodovia estadual em um sonho distante.
A lógica econômica e de tráfego desenha um cenário claro: com a Transbrasiliana concluída, a tendência é que os motoristas migrem massivamente para a nova rota federal. O traçado da BR-153 oferece um percurso menor, menos sinuoso e dotado de acostamento seguro — um contraste direto com a ERS-135, que além de possuir uma quilometragem mais longa, passaria a operar sob o regime de pedágios privados.
Diante da iminente perda de fluxo de veículos, o interesse da iniciativa privada na concessão da ERS-135 deve desaparecer. Sem a atratividade do pedágio para empresas parceiras e com o caixa do governo do Estado historicamente limitado para investimentos de grande porte, a rodovia corre o risco de ficar sem eixos de expansão. Se as máquinas avançarem na Transbrasiliana, a duplicação da ERS-135 dificilmente sairá do papel, mantendo o projeto restrito ao campo das intenções políticas.
