Protocolos rígidos e suporte psicológico marcam a reconstrução da rotina na EMEF Maria Nascimento Giacomazzi, um ano depois da tragédia que vitimou um aluno de 9 anos
Passado um ano desde o ataque que chocou o Rio Grande do Sul, a comunidade da EMEF Maria Nascimento Giacomazzi, em Estação, no norte do Estado, ainda carrega as marcas da tragédia, mas também os sinais de uma reconstrução possível. O que era dor aguda transformou-se em um movimento coletivo de ressignificação, com protocolos de segurança mais rígidos e um olhar renovado para o acolhimento psicológico.
Em 8 de julho de 2025, um adolescente de 16 anos invadiu a escola municipal com duas facas e bombinhas, matando Vitor André Kungel Gambirazi, de 9 anos, e ferindo outras duas crianças e uma professora. O agressor, que passava por acompanhamento psiquiátrico, foi contido pelo monitor Luís Carlos dos Santos, que usou uma pá de pedreiro para imobilizá-lo até a chegada das autoridades. A agilidade no treinamento de evacuação realizado dias antes evitou um número ainda maior de vítimas — a escola foi esvaziada em dois minutos.
O luto, porém, não se apagou com o tempo. “A dor é coletiva”, descreveu uma moradora na época. A cidade de cerca de 6 mil habitantes viveu dias de silêncio e protestos, como a caminhada de pais e alunos que pediam justiça e mais segurança.
Reconstrução e novos protocolos
As aulas foram retomadas em 17 de julho de 2025, com uma “Semana de Convivência Escolar” que incluiu rodas de conversa, acolhimento psicossocial e participação das famílias. A secretária municipal de Educação, Marcele Anversa Lima, definiu o momento como “um novo normal”.
Desde então, a rede municipal passou a contar com suporte contínuo de psicólogos e assistentes sociais, com apoio do Ministério da Educação. A escola também recebeu reforço na segurança, com a presença de brigadianos do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) e patrulha escolar durante os horários de aula.
“A cidade está unida para essa reconstrução. É um momento de bastante dor, mas temos a capacidade de reagir”, afirmou a secretária.
Justiça e memória
O agressor, então com 16 anos, foi condenado em agosto de 2025, a Justiça determinou a condenação do jovem a três anos de internação em um centro socioeducativo. A sentença, prolatada pela 2ª Vara Judicial da Comarca de Getúlio Vargas, reconheceu o ato infracional análogo aos crimes de homicídio qualificado e tentativas de homicídio
O nome de Vitor André Kungel Gambirazi segue vivo na memória da comunidade, que transformou o luto em compromisso com a prevenção e o cuidado. A EMEF Maria Nascimento Giacomazzi, um ano depois, é um símbolo de que a dor pode ser enfrentada com união, escuta e ação.
Por: Edson Machado – Jornalismo 98 FM
